Este blog foi criado a fim de compartilhar o processo de pesquisa em dança do trabalho “...e...está...pass” (nome provisório), que está se realizando dentro da graduação em dança da Faculdade de Artes do Paraná e na Casa Hoffmann – Centro de estudos do Movimento.
A pesquisa que estou realizando começou com o interesse em experimentar as relações corpo/cidade, se relacionando com a idéia do corpomídia de Helena Katz e Cristine Greiner, em que ambiente e corpo estão implicados, numa reconstrução constante.
Foi selecionada, então, a questão da passagem do/no corpo para investigar. Passagem relacionada a um modo de encarar a vida como um devir, como fluxo do tempo que não podemos deter, num corpo que compartilha com outros corpos e também com o ambiente (corpomídia). O corpo vivo nunca está parado, é, existe e acontece em movimento/mudança.
Passagem como infinitude, nada começa e nada termina, apenas continua. Esse corpo de/em passagem que problematiza o trânsito dentro/fora e, portanto, o observar e ser observado, o olhar.
Desse olhar surgiu a relação com imagens, as diferentes sensações e movimentações que surgem da relação corpo/câmera, das ações de observar e ser observado sempre em passagem, em fluxo contínuo (o que meu olho fixa? O que percorre?)
O que está se produzindo é uma pesquisa que opera no trânsito entre o corpo e a imagem, nessa passagem. Um estudo da passagem em tempo real, dialogando com imagens de um observador. Para tanto a investigação no processo levanta questões e procedimentos práticos para e com a câmera, bem como questões que surgem do/no corpo.
Um conceito que tem me instigado muito na linguagem própria do cinema é o de plano-seqüência, entendido como a filmagem de uma ação contínua através de um único plano (tempo de duração entre o ligar e desligar da câmera), sem cortes e que, portanto, vai de encontro ao conceito de passagem trabalhado nesta pesquisa (se alguém tiver interesse há um filme chamado “Arca Russa” do diretor Aleksandr Sokurov que foi rodado em um único dia, todo em plano seqüência, há um trecho disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Aq8rRy6MKyM )
Durante esta pesquisa, no campo teórico-prático, tem-se levantado muitas questões quanto a poética tecnológica que se pretende construir. Principalmente na relação entre as imagens e o corpo que dança em tempo real, como interagir com as imagens? Em que momento utilizar projeções em cena? Em que momento apenas o corpo? Que imagens são mais coerentes a proposta? Estas são apenas algumas das inúmeras questões que vem surgindo durante o processo e que pretendo dar uma, dentre as inúmeras respostas possíveis.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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